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Manutenção
de Unidades de CD
Por Fernando Costa
Kiszewski *
Inicialmente quero dizer
que o objetivo principal deste trabalho é proporcionar uma
base fundamental nos processos técnicos de manutenção de
aparelhos de CDs genéricos. Para tanto, será necessário
recorrermos a uma base teórica indispensável para um melhor
entendimento do trabalho de manutenção, visto que todos têm um
mesmo princípio, as diferenças entre eles serão oportunamente
comentadas. Este material será uma soma de várias literaturas
especializadas, manuais de serviços e um pouco da experiência
acumulada nestes 14 anos de trabalho. Não é necessário dizer
que o assunto não se esgotará aqui, já visto sua complexidade
e contínuo aprimoramento. Assim, espero que a obra seja útil a
todos os colegas da classe!
Introdução
Antes de falar sobre
tecnologias de CD, vale lembrar que, ao contrário do que
muitos pensam, as pesquisas e experimentos com a luz servindo
como veículo de informação datam de antes do início da década
de 20. O próprio Einstein, já em 1917, desenvolveu fantásticas
teorias sobre o efeito fotoelétrico e emissão estimulada por
radiação, teorias que seriam tomadas como base para muitos
dos futuros estudos sobre laser. Muitas anos depois se
conseguiu o domínio do laser, hoje algo comum na vida de
todos nós.
Sem dúvida alguma o
advento do compact disc representa para todas as pessoas
ligadas ou não ao mundo tecnológico um marco na evolução
das técnicas de leitura e gravação de informações. Em
1967 registraram-se os primeiros experimentos quanto a gravação
digital do som, desenvolvida pela NHK Techical Research
Institute. A técnica ficou conhecida como PCM (Pulse Code
Modulation). Em meados de 1972, a Denon, uma divisão da mega
empresa Nippon Columbia fez em definitivo a primeira gravação
digital para servir de matriz a um LP: nascia o primeiro disco
pseudo-digital. Baseadas nestes experimentos três empresas
japonesas (Sony, Mitsubishi e Hitachi) desenvolveram o
primeiro equipamento DAD (Digital Audio Disc). Em 1977 estas
mesmas empresas demonstraram publicamente o novo sistema que,
comparado com o atual CD, era um tanto ou quanto primitivo,
pois utilizavam discos do tamanho de LPs comuns e com pouca
capacidade (cerca de meia hora de musica contínua). O disco
laser tal como conhecemos hoje surgiu nos laboratórios da
Philips em Eindhoven, Holanda. Foram nestes laboratórios que
se aprimoraram as técnicas de gravações ópticas e
digitalização de dados. A Sony, empresa que também
desenvolvia pesquisas nesta área tecnológica, em meados de
1980 uniu-se à Philips para a troca e soma de tecnologias e
assim, juntas, criam o que o mundo conheceria como CD player.
Nesta divisão de trabalho, a Sony se dedica ao
desenvolvimento de todo o software do sistema (algoritmo)
enquanto a Philips se aplicava ao projeto de hardware.
A apresentação oficial
do CD para mundo só ocorreu em outubro de 1982, quando levado
para Tóquio e apresentado num stand de novidades
internacionais de tecnologia (All Japan Audio Fair), que logo
consolidou-se como a revelação do ano. Nesta feira de áudio
foram lançados 30 modelos de toca-discos digitais e 145 títulos
de discos produzidos pela CBS/Sony e por gravadoras européias
lideradas pela Polygram. Em março de 1983, a novidade tecnológica
entra na Europa e brilha em Paris. Nos EUA o áudio digital só
chegou em junho de 83, no Consumer Electronics Show, realizado
em Chicago. Os primeiros modelos comercializados tiveram preços
que variavam entre U$ 900 e U$ 7.500. A abertura de vendas, em
nível mundial, só ocorreu no final de 83. Em 1984, a Sony
lançou o Discman , anunciado como o sucessor do Walkman - e
que na verdade frustraria a todos. Ao final de 5 anos, já
haviam sido vendidos mais de 30 milhões de leitores de CD e
aproximadamente 450 milhões de discos digitais. Para nós
simples mortais do Brasil, a Philips lançou em outubro de 84
o primeiro CD player (CD-204) que chegou as lojas em novembro,
vencendo a corrida contra a Gradiente, que só lançou seu
modelo no natal daquele ano.
É notória e indiscutível
a superioridade do compact disc sobre os aparelhos analógicos,
porém esses equipamentos de alta tecnologia, grande precisão
e incrível fragilidade têm uma duração muito menor do que
realmente gostaríamos. Enquanto os discos ópticos duram décadas,
o leitor poderá durar apenas algumas mil horas! É isso
mesmo, muitos destes, durante o uso, já apresentam problemas
muito antes de completar sua primeira milésima hora . Só
para esclarecer, uma unidade óptica era projetada, no início,
para durar até 10.000 horas. Infelizmente, na prática, pelo
mau uso e com a queda de qualidade da produção, estas
unidades duram entre 3.000 e 5.000 horas, com otimismo. Assim,
pagamos um preço alto pelos benefícios do laser. A troca da
unidade é algo crítico devido a seu preço, as unidades de
CD mais baratas custam cerca de US$ 42 , já unidades de
CD-ROM tem valores mais elevados, em torno de US$ 58, e as
unidades de DVD podem superar a quantia de US$ 200. No caso de
unidades ópticas de CD-R o problema é maior, visto que no
modo gravação aumentamos a corrente sobre o diodo laser,
desgastando-o mais rapidamente.
É importante dizer que
nem sempre a falha de leitura se dá por esgotamento do
cristal oscilador, principalmente quando as unidades são mais
novas. Existem muitos outros fatores, como sujeiras e oxidações,
que geram problemas idênticos, sem falar na necessidade dos
ajustes. Por todas essas razões veremos durante nossa série
de aulas como proceder para uma manutenção correta nestas frágeis
unidades, com alguns cuidados podemos mantê-las funcionando
por mais tempo.
Como não poderia faltar,
a padronização do CD-DA (áudio) veio rápido. Para sua
internacionalização através de códigos e normas, adotou-se
o padrão Red Book A origem deste nome deve-se a um fato
pitoresco: todas as anotações dessa tecnologia eram feitas
em livros de capa vermelha. Com o passar dos anos e o
aparecimento de novos formatos de CD, obviamente, houve a
necessidade de novas padronizações, as principais que regem
o mundo do CD são:
CD-DA
(1982): Red Book
CD-ROM
(1985): Yellow Book
CD-I
(1987): Green Book
CD-ROM
MO/WO (1990): Orange Book
DVD(1994):
White Book
Só a título informativo,
as primeiras experiências com gravação de vídeo disco foram
feitas nos antigos VLDs (Video Laser Disc). O processo básico
de leitura/gravação era similar à tecnologia empregada hoje,
mas as semelhanças param por aí. Os tamanhos do VLDs variavam
de 7 a 30 cm (famosos bolachões). Num disco de 30 cm de diâmetro
era possível colocarmos até 2 H de filme por lado.
Oportunamente, serão feitas comparações entre estas várias
modalidades de discos digitais.
Por fim, fica fácil
perceber que o advento do laser, junto a fotônica, representa o
que o transistor proporcionou à eletrônica no final da década
de 40.
Princípios de Lasers
Laser Rubi
O primeiro Laser colocado
em funcionamento data de 1960, desenvolvido pelo cientista
Theodore Maiman. Nesta época, foi utilizado um cristal de rubi
como oscilador e ficou conhecido como laser de bombeamento óptico.
Laser a Gás
Em um tubo aplicava-se uma
mistura de gases nobres He-Ne (Hélio e Neônio) na proporção
de 80% e 20%, respectivamente. Eram feitas descargas elétricas
nestes elementos fazendo com que seus átomos se chocassem uns
contra os outros. Desta colisão, obtinha-se diferentes níveis
energéticos (liberação de fótons). No interior deste tubo
existiam micro espelhos que aumentavam a concentração do feixe
inicial, orientando-o.
Laser semicondutor
Consiste em um bloco
semicondutor (junção PN-GaAlAS), que por intermédio de uma
baixa corrente produzirá oscilações nesta junção. Estas
oscilações gerarão colisões e recombinarão elétrons e
lacunas, emitindo fótons ou elementos de luz. Por se mostrar o
mais econômico, estável, com poucas dimensões e boa
durabilidade, tornou-se o modelo mais popular para a aplicações
técnicas em leitura de dados.
Laser corante
Dispositivo que possui líquido
circulante em suas estruturas que são excitados por lâmpadas
ou outros tipos de lasers. Um dos materiais mais empregados é o
RH 6G, elemento altamente fluorescente, largamente utilizado no
início da era espacial. A grande vantagem deste tipo de laser
é a de podermos variar sua freqüência bastando para isso
girarmos um elemento chamado grade de difração que altera
filtros internos deixando passar apenas a freqüência desejada.
Estes lasers podem gerar pulsos extremamente curtos.
Um Pouco Sobre Discos Ópticos
Antes de mais nada é
importante conhecermos alguns detalhes técnicos sobre o tão
falado disco digital.
O disco compacto, como foi
batizado no final da década de 70, é formado por uma
quantidade gigantesca de micro cavidades dispostas em sua superfície
na forma de espiral. Esta espiral é dividida em setores, cada
setor possui rigorosamente o mesmo tamanho e, portanto, o mesmo
volume de dados. No início e no fim de cada setor existem bits
de sinalização para identificarem as mudanças de setores
durante a leitura. Só como exemplo, um quadro de áudio digital
(frame) gravado no disco possui 588 bits, divididos entre dados
(408 bits), sincronismo (27 bits), canais (17 bits) e codificação
de erros (136 bits). As dimensões destas micro cavidades ficam
mais claras quando damos exemplos como: na largura de um fio de
cabelo humano cabem 30 trilhas de disco óptico, sem falar que
um feixe laser é 50 vezes mais fino que um fio capilar. Estas
comparações nos permitem entender as dimensões envolvidas
nesta tecnologia. Um CD convencional de áudio possui 34 milhões
de frames, cada 3mm de trilha do disco tem 30 mil bits de correção
de erros.
O mais fantástico ainda é
o fato de que na combinação entre largura e comprimento destas
micro cavidades, obteremos a informação digital. Sim, é
exatamente isso: de acordo com o tamanho da cavidade e no
conjunto delas, teremos mais ou menos luz refletida, assim como
maior ou menor variação desta luz refletida para a unidade óptica,
compondo a base da informação gravada (código binário).
O processo físico de
fabricação e gravação dos discos envolveria uma análise
bastante abrangente, fugindo do objetivo maior do nosso estudo.
Sendo assim, farei uma rápida abordagem do tema.
Etapas resumidas do processo básico de fabricação de CDs
Pré - masterização
Primeira etapa do processo
onde a informação gravada em fita analógica ou digital é
transferida para uma mídia especial (fita u-matic), utilizando
um equipamento denominado editor/processador de sub-códigos.
Neste momento são atribuídos aos dados já gravados informações
complementares como: títulos, índices, tempo de cada faixa,
etc
Masterização
Este é o processo na qual
utilizamos o LBR (Laser Beam Record) ou seja, o gravador a feixe
laser. Um feixe especial de maior potência é aplicado a superfície
foto-resistiva recoberta eletricamente com prata, alumínio,
entre outros elementos, a fim de marcar ou formar uma estampa
metálica. E uma das partes mais longas e complexas de todo o
processo. Vencida esta fase, o disco e levado a um banho químico
para retirada das áreas expostas ao feixe. Será aplicado um
revestimento metálico, geralmente com alumínio vaporizado
sobre esta camada foto-resistiva final.
O processo eletrônico de
gravação em CD (masterização) é bastante complexo. Para
termos uma breve idéia, o sinal analógico que será convertido
em informação digital sofrerá um processo denominado quantização.
Esta etapa é dividida em dois blocos: 1. Amostragem; 2. Retenção.
A amostragem nos CDs de áudio é realizada a 44,1 KHz, já no
disco de CD-ROM a 48 KHz e, nos DVDs, passa a ser 96 KHz,
segundo um teorema específico (Nyquist). Após este
procedimento a informação será codificada por um processo
denominado CRC, a fim de reduzir as margens de erros no processo
de leitura, sendo então, espalhada em forma de FRAMES (quadros
de informações) seguindo uma ordem preestabelecida. Ao final,
todos os dados serão somados e modulados (EFM) para que, entre
outros fatores, a informação gravada no disco tenha mais
densidade, aumentando o clock e reduzindo as tensões contínuas
nos foto-detetores. Para entendermos a base da correção de
erros no disco, devemos sempre lembrar que no CD existe,
grotescamente falando, um cálculo matemático pronto, uma soma,
onde já temos o resultado final. Qualquer número perdido desta
conta poderá ser recuperado (respeitando certos limites),
bastando refazer a soma tendo como base o resultado final.
Recobrimento elétrico
Uma vez concluído o
revestimento metálico, o disco será submetido a eletrólise,
sendo emergido em uma solução eletrolítica de sulfato de níquel,
onde gradualmente é aplicada uma pequena corrente elétrica (microàmpéres)
que revestirá o disco com uma fina camada de óxido. Todo o
processo pode levar horas.
Moldagem
É a técnica empregada
para duplicação do disco original em milhares de cópias. O
material escolhido para as cópias foi o policarbonato, devido a
sua transparência, estabilidade dimensional, pureza e resistência
a impactos. O policarbonato é aquecido a 350 graus celsius para
ser moldado, com alta precisão para serem planos, centrados e
livres de qualquer distorção óptica. Com um meticuloso
processo de resfriamento, o CD torna-se uma espécie de disco plástico
transparente com microscópicas cavidades no seu interior.
Impresão e revestimento
Ao final de todo este incrível
processo tecnológico, é fundamental que o disco possa ser lido
por um feixe laser, sendo assim, alguns metais podem servir para
seu revestimento final, são eles: ouro, prata, cobre, alumínio
e outras substâncias derivadas ou ligas, tendo como base os
materiais já mencionados. Geralmente o alumínio é o mais
empregado, devido ao seu excelente desempenho e, claro, baixo
custo. A camada final tem espessura entre 50 e 100 nanomêtros.
Uma camada de acrílico transparente é aplicada para a proteção
final, sendo secada sob luz ultravioleta. Agora sim, finalmente
está concluído o processo, basta receber rótulo e estampa.
* Fernando Costa
Kiszewski * é técnico especialista no assunto,
que a mais de 12 anos acompanha este setor e fabricantes como
Philips, Sony, Sanyo, Sharp, Cougar, Sansui, entre outros.
Informações adicionais
sobre CDs
Um CD comum tem espessura
de 1,2 mm. Tradicionalmente é composto de 99 trilhas. Seu
tempo médio de reprodução é de 60 a 74 minutos. Seu diâmetro
tradicional é de 12cm ou 8cm (menos popular). O sistema de CD
musical tem uma resposta de freqüência de 20hz a 20khz, gama
dinâmica de 90dB, distorção harmônica de 0,01%. Quando em
giro, o disco digital inicia sua rotação a uma velocidade de
539 RPM, caindo posteriormente para 197 RPM quando se aproxima
das bordas do disco. Esta variação de giro torna-se necessária
para que sua velocidade linear fique constante no valor de 1,3
m/s. O circuito responsável por este controle (CLV) será
estudado oportunamente.
Com o passar dos anos, os
CDs receberam alguns códigos que especificavam sua origem
tecnológica dentro do procedimento de fabricação, chamados
código SPARS. Assim temos:
AAA:
Gravação analógica, mixagem analógica, matrizagem analógica
e prensagem analógica.
AAD:
Gravação analógica, mixagem analógica, matrizagem e
prensagem digitais.
ADD:
Gravação analógica, mixagem, matrizagem e prensagem
digitais.
DDD:
Todo o processo é digital.
Todo CD deveria ter este
registro no selo do disco. Infelizmente isso não ocorre.
Existe em todo o processo
de fabricação um grande cuidado para que não ocorra um
efeito crítico chamado birrefrigência, também denominado
refração dupla. Este é o nome dado ao efeito de uma onda de
luz se dividir em outras duas ondas perpendiculares no
instante em que são aplicadas ao policarbonato, espalhando-se
sobre a superfície do disco e prejudicando a focalizarão do
feixe sobre as trilhas de dados. Alguns problemas de leitura
em discos de qualidade duvidosa estão justamente neste
aspecto, exigindo uma focalização crítica para a unidade
leitora. Quando o equipamento não consegue compensar esta
falta de qualidade do disco, iniciam-se as dificuldades de
leitura.
Cabe lembrar os amigos
que essa breve descrição não esgota de forma alguma esse
assunto que é por demais extenso.
Teoria de Funcionamento de Unidades de CD e Estudos de
Circuitos
Em primeiro lugar, ao
ligarmos nosso aparelho leitor de CD, seja qual for o tipo de
unidade, sempre existirá uma rotina básica e comum a ser
executada:
1. Recolher o disco da
bandeja
2. Posicionar a unidade óptica próxima à circunferência
interna do disco e ligá-la (acender o diodo laser).
3. Executar a focalização +¥ e -¥sobre a superfície do
disco.
4. Ler o conteúdo da tabela que existe na primeira trilha do
CD (TOC, Table Of Contents), pois é neste local que são
encontradas informações como tempo de música, número de
faixas, etc
5. Por fim, basta acionar a tecla Play ou então clicar no ícone
do CD e rodar o programa desejado.
Assim, depois de ocorrido
esse rápido processo, poderemos iniciar a leitura do disco
propriamente dito. Obviamente essa rotina de passos só será
realizada se tudo estiver correto, isto é, se todos os
circuitos estiverem em pleno funcionamento. Sendo assim, vamos
analisar, por etapas, as principais partes de um leitor de CD.
São elas:
Fonte de Alimentação
Unidade Óptica
Placa de
Processamento Digital
Sensores
Unidades Mecânicas
Motores
Fonte de Alimentação
Este estágio só existe
nos aparelhos utilizados fora do computador, como, por
exemplo, os DVDs e os CDs de mesa.
A fonte desses modelos em
geral é muito simples: possuem um transformador para baixar a
tensão da rede, um conjunto de diodos retificadores, filtros
e um circuito transistorizado para regulagem e estabilização
das tensões de +12V e +5V (entre outras menos importantes).
Em situações normais,
raramente esse circuito apresenta defeitos. Em modelos mais
recentes nota-se a tendência à utilização de fontes do
tipo chaveada. Acreditamos não ser necessário entrar em
detalhes sobre este circuito, visto que o CD-ROM utiliza
alimentação da fonte do gabinete do micro.
Unidade Óptica
Trata-se de um
dispositivo axial duplo que possui, em suas cavidades
internas, uma junção semicondutora PN (cristal), um conjunto
de lentes colimadoras e cilíndricas, um conjunto de bobinas
para movimentação horizontal e vertical da lente colimadora
(ou objetiva), um prisma não polarizado, grade de difração
e fotodetectores.
Quando aplicamos corrente
sobre a junção semicondutora PN, geralmente formada por
compostos de arseniato de gálio aluminizado (GaAl-As) ou
outras derivações que surgiram ao longo dos anos, tenderá a
oscilar, emitindo fótons e produzindo uma radiação
infravermelha (feixe laser). O próprio termo laser significa
“amplificação da luz por emissão estimulada de radiação”,
um processo bastante engenhoso onde a própria luz se
realimenta, emitindo ainda mais radiação. A luz obtida por
este dispositivo é monocromática e coerente, proporcionando
uma luz altamente direcional como é necessário. Seu
comprimento de onda está na ordem de 780 nm (nanômetros).
Existem variações deste comprimento entre 690 nm a 780 nm.
As lentes colimadoras
(objetiva), têm a função de tornar os feixes paralelos, e
é construída para proporcionar uma precisão absoluta, pois
é através dela que os feixes de leitura se concentram sobre
o disco.
Com as lentes cilíndricas
modificamos a forma com que o feixe de luz, que retorna do
disco contendo informações, se apresenta. Ao passar por
estas lentes, que ficam fixadas sobre os fotodetectores, o
feixe de luz sofrerá difração horizontal e terá forma elíptica
e, de acordo com este grau elíptico, teremos maior precisão
no rastreamento da informação digital, haja visto que esta
forma elíptica do feixe será aplicada sobre os
fotodetectores.
As pequeninas bobinas
fixadas à lente objetiva formam o conjunto eletromecânico
axial duplo. Para podermos gravar um determinado dado ou ler
alguma informação no disco óptico, torna-se necessário que
o feixe de luz esteja constantemente focalizado sobre as
pistas de covas que existem no disco, sem que delas saiam em
nenhum momento. Como este conjunto é servo controlado, para
cima e para baixo fará o movimento de foco e, para os lados,
o de trilhagem, proporcionando a exatidão durante a
leitura/escrita.
A grade de difração,
situada à frente do cristal oscilador, tem a função de
dividir o único feixe de luz gerado em outros dois pequenos,
compondo a tríade, para que sirva de auxílio no processo de
leitura e correção de erros.
O prisma não polarizado
é constituído de um meio espelho que reflete parte da luz
incidente sobre ele. Por este micro espelho apenas 1/4 da potência
do feixe laser atingirá os fotodetectores, evitando seu
desgaste prematuro ou queima.
Por último, temos os
fotodetectores, dispositivos eletrônicos que têm a
finalidade de converter níveis de radiação luminosa em
pequenas variações de corrente elétrica pulsante. São eles
que enviarão os dados digitais (reflexão de luz ou refração),
lidos no disco e recebidos pelo conjunto óptico, ao circuito
eletrônico do equipamento (placa), para sofrer demodulação
e processamento lógico.
Atenção: Sempre que
formos trabalhar com unidade ópticas devemos usar a pulseira
e a manta anti-estática. O diodo laser é extremamente sensível
a descargas eletro-estáticas! Por esta mesma razão, as
unidades novas de diodo laser tem o seu pino de alimentação
curto-circuitado ao terra! Este é o procedimento de todos os
fabricantes de conjuntos ópticos. Para o trabalho com estas
unidades, devemos também, ter o máximo cuidado na aproximação
com os olhos (manter uma distância de, no mínimo, 15cm da
lente objetiva). O feixe é muito concentrado e poderá afetar
o olho humano (causando cegueira). Detalhe: o comprimento de
onda do laser usado no CD é invisível ao olho humano. Ao
longo das aulas veremos como confeccionar um prático
dispositivo para averiguar se o diodo laser está aceso e
emitindo feixe de luz, sem riscos à visão, além de ser
infinitamente mais prático.
Na Figura 1 vemos a
ilustração de uma unidade óptica genérica.

Figura 1: Funcionamento da unidade óptica.
Informações adicionais sobre unidades ópticas
Consumo médio de
corrente: 40 a 70 mA
Corrente máxima
suportável: 100 a 150 mA
Potência média de
uma unidade de laser convencional: 0,25 mW
O ranger (raio de ação)
de foco da objetiva (em que é possível leitura) atinge
aproximadamente 2 mícron
Distâncias entre
disco e protetor de lente: 1,04 a 1,44 mm
Descrição do circuito eletrônico APC (Automatic Power
Control) da unidade óptica
Observe a Figura 2 para
entender nossas explicações sobre este circuito.

Figura 2: Circuito APC (Automatic Power Control).
O diodo laser D1 é o
componente semicondutor responsável pela geração do feixe
laser principal. O diodo D2 executa a detecção do nível de
radiação luminosa refletida no disco (mais intenso ou menos
intenso), assim recebe o sugestivo nome de monitor laser.
Quando o sinal de reflexão
do disco estiver deficiente, o diodo monitor, recebendo menos
luz, diminuirá a corrente sobre R1, fazendo com que um grande
desnível de tensão apareça nas entradas do detetor e
comparador de erro (IC1), forçando-o a gerar uma tensão de
erro proporcional a esta diferença, com objetivo de compensá-la.
Desta maneira, aplica-se uma maior corrente sobre a unidade
emissora (D1), aumentando a intensidade do feixe laser. O
transistor T1 se encarrega deste controle final, conduzindo
mais, nesta situação específica. Nos casos em que há condições
normais de reflexão (discos em bom estado, unidade com bom
ganho, etc) a corrente de D2, previamente calculada, será de
tal forma levada às entradas do operacional IC1 que, quando
comparada com uma referência padrão de tensão, fornecida
por R2, terá como resultado um valor de erro tendendo a zero,
mantendo, assim, o feixe com o máximo de estabilidade
luminosa. Os valores da tensão padrão mudam um pouco de
acordo com o projeto do equipamento. Na prática, porém,
geralmente estes valores estão entre 2,5 e 5 V. A tensão de
erro final aplicada à base do T1 está normalmente em torno
de 0,8 V.
É importante que se diga
que este micro circuito está normalmente embutido em um chip
da placa de processamento. Temos acesso apenas ao transistor
de controle (T1) e ao trimpot (R1), velho conhecido de todos,
lá na plaquinha da unidade óptica.
Nesta rápida explicação
deste modelo didático, fica fácil notar o quanto é
importante o APC para a vida útil de uma unidade óptica,
assim como, o seu correto ajuste.
* Fernando Costa
Kiszewski * é técnico especialista no
assunto, que a mais de 12 anos acompanha este setor e
fabricantes como Philips, Sony, Sanyo, Sharp, Cougar, Sansui,
entre outros.
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